Torcedor É Camisa 10
É interessante acompanhar o futebol com olhos de observador sem compromisso.
Atualmente os clubes são como empresas e tratam os torcedores como clientes promovendo incentivos e vantagens de modo a fazê-los entender que são parte daquilo. Oferecem várias condições para se associarem; tratam a torcida como se fosse a “camisa 10”, etc. etc.
Ledo engano!
Ora, quem torce por um time não precisa de vantagens para isso. Torce e pronto! O time de futebol do torcedor é uma paixão inegociável.Para o clube, ou seja, para os gestores, que também são torcedores, há também os que ganham no negócio. Alguns ganham bem!
Para o clube o importante é que o torcedor transforme sua paixão em dividendos. No futebol atual, embora a renda dos jogos seja importante, o que mais importa são os ganhos advindos das transmissões pela televisão e das negociações dos atletas. Os ganhos não são apenas para os clubes, revertem também para os atletas como os direitos de imagem, por exemplo.
O volume de recursos que circula no mundo futebolístico não está na compreensão de muitos e muitos torcedores. É provável até que eles nem estejam preocupados com isso, o torcedor só pensa na vitória do seu time! Pouco importa se o time está jogando bem ou não, o que importa é ganhar.
O mundo do futebol não é para amadores em qualquer país. A FIFA e as Confederações de cada país funcionam em um mundo paralelo, como se estivesse desconectado dos problemas sociais. Pode-se imaginar a seguinte comparação: em um aquário os peixes coloridos estão lá se movimentando e um bom grupo de pessoas observando, acompanhando a dança dos peixes. Cada observador escolhe seu preferido e fixa a acompanhá-lo permanentemente. Os peixes, no seu mundo à parte, estão lá se deslocando, sem se dar conta de quem está a observá-los, a torcer por eles. Os peixes querem apenas se dar bem, viverem sua vida se for possível saíram daquele aquário para um maior, com mais oportunidades!
No mundo do futebol é assim. Os atletas são capturados muito cedo, são oriundos de famílias simples e começam a mergulhar num aquário fora da realidade que nasceu. Começam a ser iluminados pelo farol das atenções, serem tratados como estrelas especiais, são muitas vezes protegidos quando cometem seus absurdos. O mundo deles é outro!Para esses jovens o torcedor é uma massa não identificável, as vezes o apoiam, as vezes o criticam.
O mundo do jogador é só dele e o importante é se dar bem, inclusive sair para um aquário maior! Basta ver que na Seleção Brasileira (semelhantemente para a maioria das seleções que foram à Copa do Catar) apenas três estão no aquário brasileiro, os outros 23 “nadam” no futebol europeu! Sem muito exagero “as Copas do Mundo de Futebol”, atualmente, mais parecem um campeonato europeu de futebol rearrumado!
Em particular, aqui no Brasil, essa paixão pelo futebol é o remédio que anestesia muitos dos nossos males. Os nossos meninos de ouro e não apenas eles, mas quase todo o conjunto daqueles que são vedetes, pouco se ligam para o que se passa no país, das condições da população, da fome, das dificuldades, da violência e tudo mais.
Em 2021, com a Covid matando os brasileiros a Mini-Copa foi realizada aqui, depois de ter sido rejeitada pela Argentina e pelo Chile! A estupidez brasileira, à frente o presidente, não teve a mesma compreensão dos outros países sul-americanos.
Os que fazem o futebol, todos os protagonistas, estão no aquário, não se dão conta do mundo externo, nada escutam, nada os afeta!
A história do nosso futebol está muito bem recheada dos maus exemplos que esses atletas, sobretudo os mais talentosos, estão frequentemente nos “brindando”
com seus preciosos escândalos internacionais.
Afinal, do aquário nada se escuta!
Ascendino


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