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A Carta de 22

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Ontem, na leitura da Carta aos Brasileiros e às Brasileiras em defesa do Estado Democrático de Direito sob as arcadas da icônica Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em SP, assim como nas manifestações similares em todas as unidades da federação, a referência à Carta de 77 se fez necessária e inspiradora. Após o AI-5 e o desbaratamento da resistência armada, o Brasil viveu no início dos anos 70 o chamado "Milagre Brasileiro". Em 74, porém, o castelo de cartas da economia começou a ruir a partir do momento em que a OPEP resolveu aumentar os preços do petróleo. A inflação, recessão, fome, miséria… ressurgiram enfraquecendo o discurso ufanista dos milicos e revitalizando a oposição ao regime. E a reação à ditadura voltou à pauta do debate político em amplos setores da sociedade. Em 74, o MDB havia feito 16 dos 22 Senadores, e em 76, nas eleições municipais, novamente o governo havia sofrido derrotas nas eleições para as câmaras municipais. Em 77, Geisel liderava uma d...

Famílias Felizes

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"Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são, cada uma à sua maneira". Com essa frase, Tolstói inicia o romance Anna Karenina, uma das obras mais importantes da literatura mundial. Na solenidade para a posse do ministro Alexandre de Moraes na presidência do TSE, Tribunal Superior Eleitoral, em 16 de agosto de 2022, uma entre as muitas "famílias" ali representadas era do tipo infeliz. À sua maneira, claro! Previsivelmente, o Capitão e a sua família (ali representada pela esposa e pelo filho 02) caíram numa arapuca. JB levou um pito do Careca. Pito com estilo. E teve que engolir calado. Imagino que aquela noite foi longa no palácio. O evento, que poderia ter sido mais um burocrático e enfadonho rito de passagem no TSE, acabou se tornando num gesto político de um simbolismo raramente possível. As mensagens dadas pelo Alexandre e Campbell (do TSE), Simonetti (OAB) e Aras (PGR) foram claras, diretas e firmes.  Agora é aguardar.  JB continuará sendo JB, acont...

Por que Não Me Ufano (*)

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Gostaria de pensar que o "movimento" de jogadores e comissão técnica seja motivado pelo respeito à vida, por entender que a Copa pode se tornar um vetor de contaminação e, no limite, porque desejam expressar a desaprovação ao governo e ao Capitão. Mas, gato escaldado, estimo que a raiz do tal "movimento" é apenas mais uma demonstração de individualismo e gestão dos interesses pessoais. Os brasileiros que atuam na seleção (quase a totalidade) atuam em clubes europeus. Por lá estariam em férias no movimentado verão do hemisfério norte.  Por aqui, jogarão por laranjas numa mixuruca Copa sem valor para suas carreiras, para seus empresários e para os seus contratos publicitários. Vendo o copo meio cheio, a "movimentação" traz desconforto ao presidente e, se levada à termo, mitigará os riscos associados à disseminação do vírus fatal. Tão importante quanto, talvez traga racionalidade ao debate. Seja por um interesse mesquinho, egoísta ou por algum altruísmo até a...

Precisamos Falar das Polícias

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A incapacidade ou as dificuldades para o governador Pedro Câmara comandar a sua PM, não é um fato isolado. Eventos, aparentemente recentes e conectados por um fio condutor que parte de Brasília, demonstram o estágio de putrefação que domina os quartéis das PMs, das polícias civis, dos bombeiros e outros núcleos "militarizados" nos estados e municípios. No Ceará, no Distrito Federal, na Bahia, no Maranhão, entre outros, as sublevações vêm sendo alimentadas ora por entidades de classe, ora pelo alto oficialato dessas corporações que busca alinhamento com o Bolsonarismo e a cobertura do manto protetor oferecido pelo Capitão sob a forma de uma cooptação barata mas eficaz. Num exemplo extremo, temos a polícia carioca que atua alinhada com o estado paralelo das milícias armadas e religiosas nas comunidades e "convive" com o tráfico de drogas como parte de um arranjo social oportunista e caricato.  Em 2021 voltou à pauta na Câmara dos Deputados o projeto de lei no. 4263/20...

Tanto Mar

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Em 25 de Abril de 1974, após 47 anos, o povo português viu finalmente eclodir a revolução que jogou a ditadura portuguesa no lixo da história. De quebra, a revolução apertou o gatilho para a independência das colônias portuguesas na África. Grândola, Vila Morena (Zeca Afonso), foi a música senha que desencadeou o movimento. Tocada pela Rádio Renascença a partir da meia-noite, a música chegou aos quartéis: “Grândola Vila morena Terra da fraternidade O povo é quem mais ordena Dentro de ti ó cidade...”   Pousada Tanto Mar em Arraial do Cabo, Brasil E chegou aos soldados que queriam mudanças no papel das forças armadas. Com a adesão dos soldados a carnificina foi evitada e a vontade popular ficou fortalecida. Até hoje, em manifestações populares, a canção é entoada como um hino. Chico Buarque homenageou a festa portuguesa em Tanto Mar que recebeu duas versões. A primeira, em 1974, foi censurada pelos milicos: “Sei que estás em festa, pá  Fico contente  E enquanto estou ...