A Sombra do Buraco Negro
A Terra se achava Centro
desse universo total,
mas o Hubble derrubou
a arrogância maioral.
Revelou que nada era,
uma pequena esfera,
algo infinitesimal!
Esse universo louco
muito ainda esconde
a fustigar seus mistérios
o homem então responde:
cada dia, cada ano,
vamos revelar o plano
daquilo que corresponde.
previa algo imenso
que engolia energia
escuro e muito denso.
Mas carecia de prova
para essa “coisa nova”
finalmente ser consenso!
“Horizonte de Eventos”
assim se denominava
esse tal “Buraco Negro”,
que pra lá tudo sugava.
Nem Super-Homens, nem Zorros,
nem “moléstia dos cachorros“!
da região escapava!
A cor “negra” em Física
não é pra discriminar,
é a cor da energia
que mais faz armazenar.
Enquanto “branco” reflete
espalha luz, a remete,
o “negro” faz conservar.
Como achar uma “coisa”,
escura que ninguém via?
Todo mundo procurava,
nem o diabo a via!
Pra achar essa danada
foi se procurar do nada
toda noite, todo dia!
No meio d’uma galáxia,
na região mais escura,
é o lugar preferido
daquilo que se procura.
Mas o bicho é tinhoso,
aguerrido, pegajoso,
todo cheio de frescura!
Pra olhar lá na galáxia
a luz viaja um tantão,
um monte de telescópios
aponta com precisão!
Pra ver aquele pontinho,
um pontinho escurinho,
bem menor que um botão!
Como achar uma coisa
escura que nem tição,
longe que só a moléstia,
mas essa é a ambição?
Pra encontrar esse astro
sua sombra deixa rastro,
eis qual foi a solução!
Sombra é um fenômeno
decorrente da luz:
um corpo na sua frente
ela então reproduz,
uma imagem escura
(silhueta sem rasura)
mostra o efeito da luz!
Mas o bicho é esquisito,
esquisito como o cão.
A dos outros é escura,
a sombra dele é clarão!
Uma coisa anormal,
até mesmo infernal!
Só sendo obra do cão!
Pra achar um tal “buraco”
em alguma constelação,
astrofísicos do mundo
fizeram concentração.
Montaram experimento
pra captar um evento
numa mesma direção.
M87
é a galáxia legal,
a milhões de anos luz,
era a mira fatal!
Pra ver o anel de luz
que o buraco reproduz
a Imagem fenomenal!
Finalmente em abril
de dois mil e dezenove,
o mundo ficou sabendo
a imagem que resolve:
anel brilhante, bonito
vindo lá do infinito
nos empolga e comove.
Ascendino

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