Desencanto
A CÂMARA MUNICIPAL DO RECIFE É UM UM LUGAR DE DESENCANTO!
Olhe-se para a Câmara de Vereadores do Recife sem as ilusões de que qualquer vereador, tendo uma república em pleno funcionamento, sem as paixões ideológicas ou crenças em partidos A ou B, sem o fanatismo religioso e sem a ingenuidade de que um mandato, qualquer que seja ele conseguirá fazer alguma coisa isoladamente.
Olhe-se para a Câmara dos Deputados. O Presidente da República quis concentrar nos filhos e nos milicianos todos os negócios. O que fez o Centrão? Rebelou-se e estabeleceu suas condições. Quer continuar no governo, tem que repartir os negócios conosco. Tá okey?
A Câmara de Vereadores do Recife a Câmara dos Deputados, guardadas as devidas proporções no tamanho dos negócios possíveis, têm muito mais semelhanças do que aparece para o grande público.
Olhe-se para Câmara de Vereadores do Recife e pergunte-se: existe alguma crise existencial de qualquer semelhança com a Câmara dos Deputados? Existe algum conflito armado com o poder executivo municipal? Há quanto tempo os vereadores não reclamam da usurpação de poder pelo executivo municipal?
Pode-se pensar, mas o governo federal atual é diferente. É ultra liberal, é privatista declarado e miliciano de carteirinha. E no governo federal tem muitos negócios.
Olhe-se para a Câmara de Vereadores do Recife como um espelho da Câmara de Deputados. Se lá os negócios são grandes, aqui são menores, mas existem. A Câmara de Vereadores do Recife é um grande centro de negócios e motor do privatismo que assola a Prefeitura do Recife.
Olhe-se para as possibilidades de negócios; multas de trânsito; invasão de espaços públicos como praças e logradouros; infrações imobiliárias fazem parte dos bons negócios; conivência com os empresários de transporte público permitindo manter péssimos serviços à população sem nenhuma cobrança; compras de merenda escolar que atentam contra a saúde das crianças; compra de equipamentos médicos super-faturados para as unidades de saúde municipal; paradas de ônibus que sempre se deterioram realimentando os negócios; coleta e transporte de resíduos sólidos incorretamente já é um caso clássico. Há muitos mais exemplos. Com tantas possibilidades de negócios, por que a Câmara de Vereadores do Recife abriria uma crise com o poder executivo municipal contestando-os?
Olhe-se o exemplo do estudo “Recife Arretado”. Pode-se ver nele um caso de sucesso do ponto de vista individual. Do ponto de vista do poder legislativo municipal é a prova cabal do que se está discutindo aqui. A Câmara Municipal do Recife deu de ombros para aquele estudo. Só vai atrapalhar os negócios.
Olhe-se agora para o que pode sair das urnas. A bancada de candidatos que defende Marília Arraes deve chegar a 4 ou 5. E com alguma surpresa a 6 vereadores.
Três perguntas ficam para reflexão: quantos estarão dispostos a mexer nesse modelo? Bastaria a boa intenção de um ou dois vereadores para mexer nisso? Qual a possibilidade real de fazermos uma bancada minimamente articulada?
O maior desafio da bancada que defende a candidatura de Marília Arraes será mostrar à sociedade a atual privatização do orçamento municipal e propor alternativas de real interesse antes para a população recifense do que para o empresariado privado.
José Ailton Lima
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