Nação Xambá Patrimônio Biológico e Cultural


Trabalho apresentado ao X SEMINÁRIO BRASILEIRO SOBRE ÁREAS PROTEGIDAS E INCLUSÃO SOCIAL (SAPIS) E V ENCONTRO LATINO-AMERICANO DE ÁREAS PROTEGIDAS E INCLUSÃO SOCIAL (ELAPIS). Marina de Sá Costa Lima - Pos Doc UFPE Adeíldo Paraíso da Silva - Dr. Honoris Causa / Nação Xambá Laise de Holanda C. Andrade - Profa. Dra. UFPE Pesquisas etnobotânicas sobre quilombos urbanos frequentemente ressaltam a eficácia de plantas medicinais para a sociedade mais abrangente, embora pouco seja considerado sobre o reconhecimento de sábios e do domínio terapêutico e cultural integrados, o que reivindica um dever patrimonial. Neste estudo, avaliou-se a versatilidade e importância das plantas medicinais e sagradas utilizadas em quilombos urbanos nordestinos, adaptando um Índice de Significado Cultural (ISC) e abordagem participativa. A pesquisa foi realizada em quilombos urbanos, de São Benedito e Tabajara, em Olinda-Pernambuco. Um deles, a Nação Xambá, possui uma área legalmente protegida enquanto Quilombo Urbano. No inventário das espécies, seus usos e preparações, foram empregadas entrevistas semiestruturadas (interlocutores) e abertas (sábios reconhecidos). Foram entrevistados 20 membros de cada comunidade, homens e mulheres. As plantas indicadas foram coletadas e analisadas para identificação, parte depositada no herbário UFP(UFPE). Na adaptação da fórmula do Índice de Significado Cultural de Turner, ISC = Σ (i x e x c), foram mantidas as variáveis: i (intensidade de uso), e (exclusividade de uso) e c (contemporaneidade de uso). Destacou-se o sábio e Babalorixá Ivo de Xambá, atual Doutor Honoris Causa pela UFPE. Foram registradas 142 espécies medicinais, indicadas para 15 sistemas corporais, pertencentes a 59 famílias e 115 gêneros, destacando-se com base no ISC alcançado: Zingiberaceae (259) e Lamiaceae (143). Do total, 36% são nativas. Os sistemas mais representativos foram o respiratório e o digestório. Quanto à versatilidade de usos, 60% das espécies foram indicadas para até sete sistemas corporais. Foram mencionadas 53 plantas para fins religiosos, principalmente banhos, amacis e boris, sendo 30 espécies apenas para uso sagrado. Conclui-se que quilombos urbanos nordestinos podem possuir um expressivo conhecimento da diversidade florística medicinal, práticas de cura, do sagrado, corroborando com a emergente necessidade de proteção e continuidade no futuro desse patrimônio biológico, cultural e sagrado dessas populações.

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