Patrimônio Biocultural Xukuru do Ororubá
Trabalho apresentado ao X SEMINÁRIO BRASILEIRO SOBRE ÁREAS PROTEGIDAS E INCLUSÃO SOCIAL (SAPIS) E V ENCONTRO LATINO-AMERICANO DE ÁREAS PROTEGIDAS E INCLUSÃO SOCIAL (ELAPIS).
Iran Ordônio Neves - Território Indígena (TI) Xukuru do Ororubá
Angela Neves - TI Xukuru do Ororubá
Cristiano Araújo - TI Xukuru do Ororubá
Raianire Araújo - TI Xukuru do Ororubá
Marina Costa Lima - UFPE
Este trabalho trata de uma descrição do avanço do “Movimento da Agricultura Sagrada Xukuru do Ororubá”, em parceria com o projeto: “Retomada da Agricultura Xukuru do Ororubá: Patrimônio Genético, Cultural e Sagrado no Território Indígena no Semiárido Nordestino”.
O propósito é visibilizar a dimensão patrimonial que envolve o sagrado nos conhecimentos tradicionais associados à natureza. Desenvolvido no início de 2021, as atividades abrangem a localidade da Boa Vista, no Centro de Agricultura Xukuru do Ororubá (CAXO), da Casa de Sementes Mãe Zenilda e do Terreiro de Ritual e outros espaços Sagrados na Mata da Boa Vista, regidos pelo Coletivo Jupago Kreká.
O relato trata das ações do grupo no planejamento das atividades a partir do CAXO, com abordagem participativa realizadas nas mobilizações entorno da “Agricultura Sagrada”. O Jupago Kreká e demais organizações sociopolíticas buscam uma gestão socioambiental autônoma do território, orientados por princípios e valores do Lymolaygo Toype.
Dentre as atividades vivenciadas, se destacam: mutirões para implantação de sistemas agroalimentares biodiversos, arranjos de policultivos, recuperação de vegetação nativa através de plantios de mudas, atividades de cercamento como proteção de fatores de degradação e manejo do território, por “cosmonucleação” regenerativa e encantamento; o manejo de variedades não-híbridas, sobressaindo diversos tipos de favas, mandioca, batata doce, além de plantas comestíveis nativas como batata cafofo e cará do mato; parte da gastronomia tradicional Xukuru, como o pirão de ovo, mogolê e favada; as celebrações da “cultura dos Encantados” no Terreiro da Mata Sagrada.
Envolver experiências, em diálogo entre sábios, academia e movimentos podem contribuir a um processo de reconhecimento que a agricultura Xukuru do Ororubá, tem propriedade de criação no agroecossistema, enquanto Patrimônio Imaterial e Material, assegurando a soberania e conservação da agrobiodiversidade no território.
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