Contra a Privatização da Eletrobrás
CARTA
ABERTA DO COMITÊ LULA LIVRE CASA FORTE CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA ELETROBRÁS E
SEUS RISCOS TÉCNICOS
O Comitê Lula Livre Casa Forte manifesta publicamente sua discordância e
apreensão com a intenção do governo federal em privatizar a Eletrobrás,
principal empresa de energia elétrica do país.
Por meio desta carta aberta, as pessoas que compõem o Comitê alertam para os
graves riscos que a privatização da Eletrobrás representa para a segurança e
soberania nacional, enquanto objetivos nacionais permanentes, bem como para o
acesso universal da população a serviços essenciais e para a gestão dos
recursos hídricos do país.
Sociedade de economia mista e de capital aberto, sob controle acionário estatal, a Eletrobrás, foi criada em 1962 para coordenar todas as empresas do setor elétrico. Hoje a Eletrobrás atua integrando a geração e transmissão de energia de suas usinas e linhas de transmissão, além de patrocinar a pesquisa e a inovação no setor.
No cenário de crise atual, o Comitê destaca a importante missão política e
econômica da Eletrobrás, indutora de investimento para o setor elétrico
brasileiro e para toda a cadeia produtiva. É preciso levar em conta,
especialmente, as suas empresas geradoras e transmissoras, que mantêm o
equilíbrio e a solidez dos Sistemas Norte, Sul, Sudeste e Nordeste,
interligados, cooperativos e cruciais para o interesse nacional. É de extrema
relevância o papel da coordenação no acompanhamento da geração nuclear, e das
pesquisas no Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), um dos maiores e
mais respeitados do mundo, onde a inovação é parte predominante em suas
atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico, certificação e
treinamento.
Com a privatização de parte do sistema elétrico, já chegaram empresas
espanholas, italianas e chinesas, todas estas focadas no controle próprio de
suas instalações, sem transferência de tecnologia e com a provável perda do conhecimento
técnico específico daquilo que foi projetado e até mesmo comissionado.
Privatizar a Eletrobrás é terceirizar e desnacionalizar atividades de grande
conteúdo crítico e estratégico. Para o Comitê, não é racional entregar a um
agente econômico, cujo objetivo primordial é a maximização do lucro, as
decisões sobre o uso múltiplo da água, elemento chave para abastecimento de
cidades e rebanhos, irrigação de culturas agrícolas e desenvolvimento de
piscicultura, e como leito para embarcações. Sem o controle da Eletrobrás,
perde-se o poder de decisão sobre a gestão de grande parte da malha fluvial
nacional. Atualmente, mais de 50% da nossa energia elétrica vêm de
hidrelétricas, que foram construídas pela Eletrobrás e suas subsidiárias regionais.
Por outro lado, a Eletrobrás é crucial para o Estado enfrentar a transição para
uma matriz energética cada vez mais limpa, bem como para executar políticas
públicas de fomento à atividade econômica ou em busca de tarifas mais baratas
para a população. Ao contrário, a expectativa, com a privatização, é de
aumentos de preços – inicialmente de até 17%, segundo a Agência Nacional de
Energia Elétrica (Aneel) e com um aumento estimado nos custos para indústria,
famílias e cadeia de produção de R$ 460 bilhões em 30 anos, segundo a Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Falta razoabilidade econômica na proposta e no modelo de privatização
pretendido para a Eletrobrás. Projeta-se arrecadar R$ 25 bilhões com a
operação, segundo o Governo Federal. Mesmo em cenário de pandemia e retração do
PIB, nos últimos três anos, a Eletrobrás registrou superávit bilionário, com
lucro de R$ 30 bilhões. Com o retrato dos últimos doze meses, foi registrado R$
8,12 bilhões de lucro.
Falta
também razoabilidade estratégica do ponto de vista da soberania nacional. Em um
momento em que o mundo luta para eliminar a participação do carbono em sua
matriz energética, o Brasil entregar o controle de uma empresa detentora de uma
matriz elétrica renovável para a formação de um monopólio privado, é
simplesmente inaceitável.
Pelos argumentos expostos, o Comitê Lula Livre Casa Forte defende que o Senado
Federal impeça a privatização da Eletrobrás, conforme proposto pela Medida
Provisória 1031/21.
Assista ao Papo Forte 6 - Privatização da Eletrobras: Por que não concordamos?

Este cara está arrasando com o nosso patrimônio
ReplyDeleteCarta muito boa, de grande importância pra esclarecer e orientar a população sobre mais um desmando desse desgoverno !!!Fora Bolsonaro!!
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